ESTUFA SOCIAL – O.S.
ESTUFA SOCIAL – O.S. é uma performance transdisciplinar que parte da estufa agrícola como dispositivo de controle para investigar a opressão sistêmica como estrutura organizadora da vida social.
Assim como uma estufa regula luz, água, temperatura, circulação de ar e condições de crescimento, a Estufa Social opera através de mecanismos que classificam, organizam e pré-codificam corpos, definindo diferentes possibilidades de existência.
A performance estabelece um diálogo entre as propriedades do plástico — ubiquidade, resistência, artificialidade, toxicidade e abafamento — e as formas pelas quais a opressão sistêmica se materializa no cotidiano. Nesse contexto, o plástico não é apenas um material, mas um elemento capaz de tornar sensíveis as lógicas que sustentam e reproduzem hierarquias sociais.
Na Estufa Social não existem corpos fora da estrutura. Todos habitam o mesmo ambiente. No entanto, nem todos recebem as mesmas condições para existir. Alguns encontram mais luz, mais água e mais espaço para crescer. Outros enfrentam restrições, podas, contenções, descartes e desaparecimentos.
Entre corpo, matéria e espaço, ESTUFA SOCIAL – O.S. propõe uma reflexão sobre os sistemas que regulam a vida coletiva e sobre as formas visíveis e invisíveis através das quais determinados corpos são favorecidos, controlados ou eliminados dentro da mesma estufa.
Bruxelas, Bélgica – 2025
Performance exploratória que surge da percepção de que, mesmo tentando sair da cartilha dominante e compreender os mecanismos da opressão sistêmica, ela continua operando. Ao redor, entre e além dos corpos. A ação investiga justamente esse lugar onde a O.S. permanece atravessando relações, espaços, atmosferas e modos de existir, mesmo quando existe consciência crítica ou tentativa de ruptura. O plástico expande essa sensação de permanência contínua, como algo que nunca desaparece completamente.
Performance realizada com o apoio da Tango Factory e da La Veine.
Participação: Flávia Morari e Vinicius Calamari
Barcelona, Espanha, 2025
Arte-Passagem é um processo de prática artística que atravessa a opressão sistêmica como condição e ambiente.
Realizado durante trinta e um dias consecutivos a partir da ideia de que a opressão sistêmica não tira férias. Sem roteiro fixo ou repetição, cada ação/performance surgia do encontro entre corpo, plástico, cotidiano e estado presente. A Arte-Passagem nasce dessa travessia contínua, entendendo a criação artística como algo que acontece no momento e não retorna da mesma forma, assim como a própria vida.
Barcelona, Espanha – 2025
Performance exploratória que nasce da ideia de desaparecer para existir. O corpo plastificado apaga e desumaniza a figura humana. Assim, o gesto artístico tornou-se uma forma de perceber que, fora da estrutura dominante, determinados corpos parecem só ocupar algum campo de percepção quando deixam de existir como sujeitos pensantes, protagonistas ou corpos legítimos, tornando-se apenas um corpo plástico, sem identidade ou referência.
Foz do Arelho, Portugal – 2024
Performance exploratória que surge da inquietação diante de esculturas e monumentos espalhados pelas cidades, quase sempre ligados a figuras da estrutura dominante, da colonização e dos sistemas de poder. A ação investiga quem pode ser lembrado, homenageado ou permanecer ocupando espaço na memória coletiva. Na praia, o plástico, o vento e o corpo passaram a criar esculturas efêmeras, monstros e imagens instáveis que faziam meu próprio corpo parecer ainda menor diante da estrutura produzida.
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