JOÃO FÁBIO CABRAL

Artista multidisciplinar brasileiro | Diretor | Dramaturgo | Performer | Ator | Poeta | Artista visual |

 

João Fábio Cabral (Rio Grande do Norte, Brasil, 1973) é um artista multidisciplinar e pesquisador brasileiro. Atualmente vive em Barcelona. Sua produção atravessa pintura, performance, instalação, vídeo, literatura, teatro e cinema. Dramaturgo, diretor, ator e artista plástico, vem desenvolvendo uma linguagem marcada por tensões territoriais, relações de classe, racismo, LGBTQIAPN+fobia, machismo e questões existenciais e políticas. Ao longo dos anos, construiu uma obra que não se organiza por disciplinas fixas, mas por travessias. Entre corpo, espaço e atmosfera, sua prática habita zonas de transdisciplinaridade, onde os limites entre as linguagens se tornam permeáveis e o processo artístico se afirma como experiência de passagem, fricção e risco.

Doutorando em Criação Artística pela Universidade de Aveiro (Portugal), desenvolve a investigação ESTUFA SOCIAL — Pratica artística transdisciplinar sobre as potencialidades do plástico como dispositivo material e sensível da opressão sistêmica, pesquisando os mecanismos contemporâneos de controle, condicionamento e apagamento dos corpos. Dentro desse percurso, surgem performances como Opressão em Escultura, O Nome do Corpo Plastificado, Arte-Passagem, Ao Redor, Entre e Além, e a Estufa Social – O.S. Dentro da investigação, desenvolve o conceito de Arte-Passagem, entendido como prática baseada na travessia da experiência artística, recusando repetição, roteiro fixo ou estabilidade formal. Sua prática opera em estado contínuo de deslocamento, onde corpo, ação, ambiente e materialidade tornam-se partes inseparáveis do processo criativo.

Nas artes visuais, suas pinturas não procuram representar o corpo idealizado, mas aquilo que resiste. Rostos incompletos, figuras deformadas, corpos fragmentados e remendados atravessam séries como Corpo-Retalhos, onde desejo, desaparecimento, precariedade afetiva e sobrevivência coexistem numa mesma superfície.

Mestre em Encenação pela Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa (2018) e formado pela Escola de Teatro Ewerton de Castro, em São Paulo (1999), como dramaturgo, escreveu mais de 50 obras teatrais, com mais de 40 montagens realizadas no Brasil, Portugal e Espanha. Publicou Cinzeiro – 17 Obras de João Fábio Cabral (NVersos, 2013), reunindo parte de sua produção dramatúrgica.

É fundador da AMesMa Cia, ao lado de Andreia Garcia, Vinicius Calamari e Lê Fazzio, realizando trabalhos como Bob e Negro,  Cidade Silenciosa, Algumas Laranjas e Janeiro. Ainda escreveu e dirigiu espetáculos como Tanto, Aguardo Notícias da Polônia, Monólogos Sobre Você Enquanto o Horror Mastiga Flores, Eu Não Sou Daqui, Casulo Bárbaro, Border Body e, agora, Estufa Social. Como ator, integrou projetos no teatro e no cinema, participando de filmes como Jonas (2016), A Busca (2013) e Getsêmani (2011). Também assinou roteiros de trabalhos audiovisuais como Darluz (2009), Lugar pra Ninguém (2016), Casa de Família (2020) e Habitación (2021).

Durante a pandemia, escreveu O Inferno Não Tem Travesseiro, série sobre feminicídio e violência contra a mulher, e codirigiu, com Andreia Garcia, os episódios realizados entre São Paulo, Los Angeles, Nova York, Natal, Lisboa, Barcelona, Curitiba, Salgueiro e Paris.

Sua trajetória inclui ainda a criação da Cia Café Poesia – Teatro Adolescente –, ao lado de Fausto Brunini, Fabiana Carlucci, Vander de Sousa, Camila Grazzano, Maurício de Barros, Thaís Barros e Roberta Soares. Também foi criador do Espaço Cultural Fuá, com Fabiana Carlucci e Rogério Harmitt (São Paulo, 2011–2012), projeto que integrou teatro, música, artes plásticas, poesia e performance. Idealizou ainda o Leitura de Boteco, em São Paulo, iniciativa dedicada a apresentações de leituras de textos teatrais em bares.

Atualmente, além do desenvolvimento de Estufa Social e da série Corpo-Retalhos, escreve seu primeiro romance, obra que mistura deslocamento, autobiografia ficcional, não pertencimento, solidão e crítica social como extensão de uma mesma investigação artística sobre existir sendo o corpo contemporâneo.